quarta-feira, maio 03, 2006

Acerca dos edifícios históricos da Cidade de Silves

(...) O monumento histórico mantém uma relação diferente com a memória viva e a duração. Ou é simplesmente constituído em objecto de saber e integrado numa concepção linear do tempo e, nesse caso, o seu valor cognitivo relega-o, sem apelo, nem agravo para o passado, melhor dizendo, para a história em geral, ou para a história de arte em particular; (...)
Françoise Choay


Como já anteriormente tinha dedicado um artigo a um edifício histórico da Cidade de Silves (Edifício do Tic-Tac), desta vez volto a tocar no assunto devido a factos recentes e já bastante falados nas últimas semanas.
Vêem-se edifícios históricos, às vezes não tanto por questões técnicas ou arquitectónicas, mas sim pela sua presença na história local, a serem demolidos de um momento para o outro sem uma explicação plausível. O último destes casos, já muito divulgado, foi o do edifício da antiga Escola Industrial, construção já de certa imponência, com história e certamente enraízado na memória da população. Apesar de necessitar de uma intervenção, mas nunca da demolição, o prédio da antiga escola industrial poderia servir para tantos usos, desde fins culturais, serviços ou até comércio de qualidade. Como este estão muitos outros ameaçados e que poderiam albergar entidades que garantissem ou promovessem a dinâmica cultural que a cidade tanto precisa. Enquanto monumento histórico estes edifícios devem permanecer na cultura da cidade, optimizando-os para um uso compatível com as necessidades da população. Ver desaparecer espaços que fazem parte de uma identidade e que contêm "várias linhas" da história recente da cidade é quase o mesmo que assistir à queima de livros que podem ajudar a compreender o ser humano e a sua evolução enquanto sociedade.