domingo, dezembro 31, 2006

Novamente a cor.



Quando parece ainda continuar na ordem do dia a discussão sobre a escolha cromática que recaiu sobre os azulejos da intervenção no edifício do futuro museu em S.B. Messines, a escassas centenas de metros existe um caso de adulteração do cromatismo original/tradicional num edifício conhecido por todos e, que no entanto , não foi contestado a nível público.
Refiro-me, deste modo, ao edifício do Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines, também conhecido como a “praça”.
Este edifício como muitos outros mercados municipais existentes por Portugal foi erigido como forma de suprir a carência de infraestruturas encontrando-se sob um programa arquitectónico definido pelo poder central.
Actualmente pintado de rosa, cor nada habitual neste tipo de edifícios públicos, ainda para mais no período do Estado Novo, sendo o cromatismo preferencialmente usado o branco. Além de se encontrar desajustado com o cromatismo habitual praticado já desde épocas distantes e que passa pelo branco, o ocre, azul no soco e neste contexto geográfico ainda podemos assistir ao vermelho da grés.
Para além de obedecer a uma certa “normalização” arquitectónica, esta tipologia de edifícios estava geralmente sujeita também a um certo controlo da cor, onde a “alvura” do branco era para ser respeitada no programa arquitectónico, sendo este de uma forma geral de cunho mais tradicional que moderno.
Ora ao se executar uma intervenção deste tipo está-se a praticar a adulteração de um projecto arquitectónico que possui determinadas características porque está inserido num contexto muito específico, e só fará sentido se continuar a respeitar determinados requisitos sendo um deles o cromatismo original.
Não deixa de ser estranho como as reacções são apenas verificadas em certas intervenções enquanto que noutras estas são perfeitamente ignoradas ou passam despercebidas, incorrendo à descaracterização , que apesar de ainda ser reversível, não deixa de ser grave pelo facto de abrir precedentes.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Chaminé IV - O antes e o depois.

Desta vez dedico este "capítulo" da série temática sobre chaminés antigas ao resultados das obras de conservação e restauro efectuadas às já muito conhecidas chaminés do edifício do futuro museu em Messines. Como é possível verificar as duas primeiras fotos são anteriores à intervenção, as restantes são posteriores. Uma coisa é certa, ao menos sobreviveram e foram salvaguardadas da ruína. Não vou tecer mais comentários sobre elas, pois ainda não consegui formar uma opinião muito clara sobre a intervenção, mas estou aberto a opiniões e comentários.






terça-feira, outubro 31, 2006

segunda-feira, outubro 23, 2006

Medronho


Medronhos
Originally uploaded by Marco Santos.
Como apreciador do fruto coloco aqui uma foto de medronhos bem maduros ainda nos ramos de um medronheiro.

domingo, outubro 15, 2006

Chaminé II





Hoje durante um passeio campestre com familiares que me foram mostrar uma sepultura escavada na rocha, na zona dos Canhestros, que será tratada noutra altura, deparei-me com esta modesta, mas bonita chaminé com uma inscrição que me parece ser 21/10/1942. A casa já bastante arruinada ainda preserva esta marca que indica a data de construção da chaminé e possivelmente o final das obras da casa, prática muito recorrente no Algarve e nas suas chaminés e que merece uma melhor atenção e estudos enquanto ainda existem "mestres" vivos nestas lides. A construção destas chaminés de cariz mais regional foi sendo a pouco e pouco substituída em detrimento de moldes mais industriais e menos personalizados, mas que em tudo tentam imitar a tradicional chaminé algarvia, não o conseguindo na totalidade perante um olhar mais atento.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Bem que podia ser ficção...


Há já vários anos privado da função para o qual foi criado, o Cine-Teatro Silvense, encontra-se actualmente esquecido pela população e pelos órgãos de gestão autárquica e decerto é já cobiçado por muitos como um belo lote de terreno. O que me levou a escrever este texto foi a chamada de atenção para a situação deste edíficio, pelo qual passamos todos os dias, e a eminência do seu desaparecimento em: Os Dias que nem sequer contam.
Construído em finais dos anos 50/ inícios dos anos 60 e inaugurado, salvo erro, em 1961, este prédio urbano é dos poucos exemplares existentes de arquitectura daquela década na cidade, como bem frisou António Baeta Oliveira no texto atrás citado. A população para além de privada das sessões cinematográficas que moviam muita gente semanalmente àquele Cinema, agora vê-se obrigada a ter que ir a Portimão ou Albufeira para visionar e desfrutar desta Arte que é o Cinema, espaço este que servia ao mesmo tempo como ponto de encontro de amigos e familiares aos fins de semana. Logo o acesso à Cultura e o consequente Enriquecimento Cultural do espectador é limitado pela inexistência de um espaço de espectáculos aberto pelo menos semanalmente, isto para quem não tem possibilidades ou facilidade de sair de Silves e parecendo que não ainda deve ser muita gente...
O usufruto de um espaço arquitectónico de carácter público, que vem referenciado na lista da Ordem dos Arquitectos para Edifícios do Século XX de interesse arquitectónico(http://www.iapxx.pt/) , assim como no inventário da Delegação regional do Algarve do Ministério da Cultura é assim vedado e quiçá mais ano menos ano forçosamente apagado das nossas memórias através da sua demolição. Seria óptimo que fosse feita, à semelhança do que aconteceu com o Cine-Teatro Louletano, a aquisição do edifício em favor do munícipio para posterior uso cultural. O interesse cultural deste edifício sobrepõe-se (ou devia...) a interesses económicos e a sua reabertura seria uma dádiva para os cidadãos Silvenses que a pouco e pouco têm vindo a procurar conteúdos culturais noutros concelhos.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Apesar de já não ser novidade de todo...

Deixo-vos o link para um artigo publicado, no dia 3 de Setembro, no Barlavento Online sobre a descoberta de uma possível Via Romana na freguesia de São Bartolomeu de Messines, da autoria de Aurélio Nuno Cabrita.


http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=8746

terça-feira, setembro 05, 2006

Castanheiro (Para memória futura...)


Por vezes nem é necessário ir muito longe para admirar um belo exemplar do nosso património natural/cultural, é o caso deste belo Castanheiro (Castanea sativa Miller) que posso admirar todos os dias quando saio de casa ou abro a janela do quarto. Digo património natural/cultural pois apesar de desconhecer a sua origem, se foi plantado ou nasceu de forma natural sem qualquer tipo de intervenção humana, uma coisa é certa, ele lá está diariamente à mercê da intervenção humana. O que me leva a escrever este pequeno texto é precisamente esse temor que alguém, um dia, se possa lembrar a cortar ou destruir esta imponente e bela árvore. Estou a entrar em terrenos algo pantanosos para mim, pois de botânica pouco ou nada percebo, mas após uma breve pesquisa e também levado pela curiosidade tenho constatado que este ambiente do Barrocal não é o mais comum para o desenvolvimento do castanheiro e acho curiosa a presença desta árvore neste sítio. Uma das imagens mais marcantes que possuo do sítio onde habito não haja dúvida que é a silhueta desta árvore a cortar o céu rosado no fim do dia e as suas folhas ficarem com um aspecto dourado com a descida do sol.

domingo, julho 23, 2006

Harmonização das Volumetrias



Aqui, um pouco como em todo lado, continuamos a assistir à construção de edifícios que para além do gosto muito discutível desrespeitam totalmente a envolvente em termos de volumetria. O caso que me faz escrever estas linhas situa-se, uma vez mais, no eixo principal de S. B. Messines, mais concretamente na Rua João de Deus.
O edifício em questão apresenta-se, tal como o que estava lá antes e foi demolido, completamente incoerente em relação à sua envolvente, com uma volumetria exagerada, que a sua forma de “caixa” não ajuda a disfarçar. Neste caso, como em tantos outros não se lutou contra a descaracterização, mas reforçou-se tal maleita ao continuar a construir edifícios de proporções exageradas e de qualidade arquitectónica, a meu ver, duvidosa. Servem estas linhas como apelo a um maior cuidado e respeito pelos famosos planos de ordenamento urbano e territorial e para que se respeitem as cotas de volumetria dos tecidos urbanos, pois não se devem cometer os mesmos erros só porque no passado já lá estavam, ou porque na mesma rua existem situações idênticas já feitas há algum tempo.

domingo, junho 25, 2006

Abicada





Desta vez vou extravasar a área inicialmente delimitada como foco deste espaço e irei abordar as muito esquecidas ruínas romanas da Abicada no concelho de Portimão. A minha ultima visita ao sítio foi no mínimo revoltante, resolvendo deste modo escrever e reflectir um pouco sobre o sítio.
Já conhecido da comunidade científica há bem mais de um século e com características de grande interesse, este sítio não tem tido o devido tratamento e agora durante a minha ultima visita a situação era gritante, deparei-me com o arqueossítio completamente infestado de ervas daninhas crescidas no meio dos preciosos mosaicos e cobrindo toda a estação. Talvez alguém até lhes tenha dado herbicida, pois estas apresentavam-se secas, mas, para a protecção deste tipo de património, o que conta é a prevenção, evitar-se a todo o custo que surjam as ervas e não matá-las já depois de crescidas, ou seja, já depois de ter causado estragos.
Outro facto interessante foi não terem removido ou cortado cuidadosamente a “flora” da Villa romana da Abicada, mas sim ter deixado ficar o matagal seco a ocupar todas as áreas como as fotos ilustram.
Apelo, deste modo, à Câmara Municipal de Portimão e ao IPPAR que se realizem intervenções urgentes naquela preciosa villa romana, antes que se perca e passe apenas a constar nos manuais de história de Portugal e da romanização da Península É certo que com a área envolvente e o complexo de criação de gado existente logo nas proximidades do sítio é difícil criar um espaço atraente para a visita do “grande público”, mas o abandono e o desleixo não são solução. Caso este estivesse aberto ao público, dada a fragilidade do sítio também havia que ser tomada em conta uma limitação do número de visitas. Trata-se de um dos complexos de villae mais interessantes que se conhece no nosso país, quer pela disposição do conjunto e soluções apresentadas, necessita de ser preservado. A revisão dos estudos com vista a causar uma nova projecção do sítio na “cena” arqueológica e cultural, pode ser uma boa forma para que não acabe por cair por completo no esquecimento e gerar novo interesse. Novas publicações e estudos aprofundados, ou mesmo sondagens arqueológicas trariam a Abicada de novo a uma posição mais segura para a sua preservação.
A imagem que a villa da Abicada passa aos seus poucos visitantes em nada contribui para os nossos órgãos de gestão, preservação e divulgação do património histórico-cultural. Que opinião levarão os visitantes estrangeiros que visitam a Abicada? O que dirão eles no seu país acerca daquele pequeno sítio arqueológico que visitaram? O que dirão eles das nossa instituições que gerem e garantem a preservação do Património Cultural?
E no concelho de Silves? Onde está o seu património de época romana? Será que já ultrapassou o estado da Abicada? Deixo estas questões para reflectir.

quarta-feira, maio 03, 2006

Acerca dos edifícios históricos da Cidade de Silves

(...) O monumento histórico mantém uma relação diferente com a memória viva e a duração. Ou é simplesmente constituído em objecto de saber e integrado numa concepção linear do tempo e, nesse caso, o seu valor cognitivo relega-o, sem apelo, nem agravo para o passado, melhor dizendo, para a história em geral, ou para a história de arte em particular; (...)
Françoise Choay


Como já anteriormente tinha dedicado um artigo a um edifício histórico da Cidade de Silves (Edifício do Tic-Tac), desta vez volto a tocar no assunto devido a factos recentes e já bastante falados nas últimas semanas.
Vêem-se edifícios históricos, às vezes não tanto por questões técnicas ou arquitectónicas, mas sim pela sua presença na história local, a serem demolidos de um momento para o outro sem uma explicação plausível. O último destes casos, já muito divulgado, foi o do edifício da antiga Escola Industrial, construção já de certa imponência, com história e certamente enraízado na memória da população. Apesar de necessitar de uma intervenção, mas nunca da demolição, o prédio da antiga escola industrial poderia servir para tantos usos, desde fins culturais, serviços ou até comércio de qualidade. Como este estão muitos outros ameaçados e que poderiam albergar entidades que garantissem ou promovessem a dinâmica cultural que a cidade tanto precisa. Enquanto monumento histórico estes edifícios devem permanecer na cultura da cidade, optimizando-os para um uso compatível com as necessidades da população. Ver desaparecer espaços que fazem parte de uma identidade e que contêm "várias linhas" da história recente da cidade é quase o mesmo que assistir à queima de livros que podem ajudar a compreender o ser humano e a sua evolução enquanto sociedade.

terça-feira, abril 04, 2006

Pela Diversidade Cultural

Após o descontentamento verificado em: http://omeuumbigo.blog.com/662613/ e http://blogal.blogspot.com/2006/03/o-deserto-cultural.html e de diálogos com amigos decidi deixar aqui expressa a minha opinião sobre a situação da Cultura no concelho de Silves.
Este concelho que já foi um dos pólos dinamizadores da Cultura no sul de portugal tem vindo a perder importância ficando para trás face a outros centros urbanos mais recentes e pequenos. O apelo que deixo é que é necessário e urgente mostrar o potencial de Silves noutros campos do Património Cultural para além da sobrevalorizada arqueologia e património medieval. Urge disponibilizar ao público as diferentes realidades artísticas e culturais existentes no concelho. É necessário dar a conhecer os artistas e artesãos concelhios, assim como mostrar e divulgar as diferentes realidades patrimoniais existentes no concelho para além da Medieval. A título de exemplo poderiam ser organizadas retrospectivas de Bernardo Marques e Maria Keil, ambos naturais deste concelho. As artes plásticas, performativas e de palco deveriam passar a ter um peso maior na vida cultural da cidade, ainda para mais quando existem estruturas capazes de albergar este tipo de eventos mas que se encontram encerradas mesmo após a inauguração.
É também imperativo abrir portas à investigação e valorização da multiplicidade de formas culturais para que estas não caiam no esquecimento e atraiam novos públicos a Silves.
O visitante tem que começar a ver Silves para além da cidade medieval, vertente cada vez mais enfatizada pelas sucessivas campanhas arqueológicas, e ao invés disso tem que passar a ter a noção de uma cidade rica em toda a sua diversidade cultural.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Cruz de Portugal




Já muito foi dito acerca deste belo cruzeiro quinhentista e pouco vou acrescentar sobre ele, escrevo estas linhas no intuito de uma vez mais sensibilizar a população e os órgãos autárquicos para a fragilidade deste monumento.
Actualmente a Cruz de Portugal encontra-se num avançado estado de degradação, que com o avançar dos anos, o aumento dos níveis de poluição do ar e mesmo a exposição aos simples elementos naturais, estão a contribuir para o desgaste acelerado deste elemento escultórico. O calcário é uma rocha muito sensível e não se julgue que por ser pedra não se gasta...
Uma das soluções que apresento e julgo já ter sido várias vezes falada é a criação de um cópia fiel ao monumento original para colocar no lugar deste, com a indicação de que os visitantes não estão perante o original, mas sim de uma cópia. O original poderia estar exposto num núcleo museológico ou no museu municipal em ambiente controlado para garantir a sua preservação. O próprio espaço onde a Cruz de Portugal actualmente se encontra necessita de manutenção e de uma maior protecção contra o vandalismo. Arranjos esses que acredito que serão feitos agora durante a requalificação da área envolvente. A questão da sinalética e painéis informativos/explicativos também é importante para a compreensão daquele objecto artístico e para a sensibilização da população e visitantes. A compilação do corpus de informação existente e a publicação desta mesma informação numa obra ou artigo alargado também podem contribuir para a sua salvaguarda. Convém não esquecer nem ignorar a importância histórica da Cruz de Portugal e o seu carácter único no panorama do património artístico/cultural Português.

Ver: http://www.geocities.com/baetaoliveira/cruz.html
Ver também a Ficha de inventário relativa a este monumento em: http://www.monumentos.pt

terça-feira, janeiro 10, 2006

Extracção Tradicional da Grés




Durante as minhas caminhadas já me tinha deparado várias vezes com pequenas escombreiras causadas pela extracção do Arenito Vermelho, mais comummente chamado de Grés Vermelho de Silves. Mas naquele passeio deparei-me, para além da cratera da escombreira, com dois enormes muros de contenção que as fotografias ilustram. Sabendo que a extracção é efectuada naquela colina desde tempos imemoriais ocorreu-me de imediato, o peso histórico-cultural que o sítio pode conter e a importância deste para a construção tradicional e mesmo monumental, assim como o esforço desenvolvido por gerações através de meios rudimentares para extrair a grés e os muros de contenção da exploração.
Como vestígio de uma importante actividade económica, histórica e consequentemente cultural e que actualmente se encontra praticamente extinta, sou da opinião de que este conjunto ou outros de igual importância e imponência devem ser preservadas e salvaguardadas de qualquer tipo de vandalismo ou acção que possa afectar a sua integridade. Esta posição apoia-se na importância que esta matéria-prima assume no Concelho desde a pré-história, estando presente tanto na construção tradicional como na monumental. Mesmo nos monumentos mais emblemáticos a grés vermelha foi utilizada, e dada a sua forte coloração, esta aumenta a carga dramática dos espaços, reforçando ao mesmo tempo a sua imponência.
Para se compreender a importância do arenito vermelho no concelho de Silves, e visto que ainda é possível, julgo ser necessário preservar os exemplares ainda sobreviventes dos diferentes passos que a matéria-prima passa até chegar ao produto final, que neste caso está presente desde os menires, passando pelas cantarias, colunas e capelas-mor de igrejas um pouco por todo o concelho. Muito possivelmente tudo começou na colina onde as fotografias foram tiradas.
Locais a visitar:
Menires do Concelho de Silves
Um passeio a pé pelas ruas de São Bartolomeu de Messines
Igreja Matriz de Messines
Sé Catedral de Silves
Ermida da Nossa Sra. Dos Mártires
Castelo de Silves