sábado, dezembro 10, 2005

Arade






Já dei por mim a pensar o quão importante o Rio Arade é para nós, não só no que toca a recursos hídrico e naturais, mas sim em termos culturais e civilizacionais e como ele tem sido esquecido durante estes últimos anos. No concelho de Silves muito se tem falado do desassoreamento do Arade para que o número de embarcações visitantes aumente e consequentemente o turismo também. Veja-se o caso do concelho de Portimão que tem mostrado o interesse pela história e as “civilizações” que antes de nós utilizaram o Arade como via de comunicação para o comércio, para estabelecer ligação entre o interior e o litoral e até para fins defensivos e militares.
Os Silvenses estão desligados do seu Rio, sendo assim é necessário chamar a atenção da importância deste rio para a nossa história, temos que pensar que antes de nós o Arade já cá estava e desde os primórdios viu crescer os núcleos habitacionais que ao longo dos séculos formaram Silves. Não recuando muito no tempo temos que pensar que o Arade viu florescer e decaír Cilpes, centenas de anos mais tarde viu o apogeu de Xilb, a conquista cristã e os altos e baixos de Silves até aos nossos dias.
As margens e zonas próximas do rio deviam ser prospectadas tendo em vista o reconhecimento de antigos sítios e deviam-se, também, actualizar os estudos já feitos em sítios previamente conhecidos no vale do Arade e nas colinas próximas a este. Basta ver o estuário do Arade quando se passa na ponte da E.N. 125 para ver a sua importância enquanto Património Natural com a presença de uma fauna variada.
Há que ter em conta a importância dos cursos de água na antiguidade e época medieval e de toda uma industria e entrepostos comerciais que se formavam em redor destes, como supostamente seria o caso do destruído Sítio do Cerro da Rocha Branca. Esta é uma vertente pouco explorada no nosso concelho e que carece de esclarecimento, assim como a pré-história que tão pouco falada é no nosso concelho. É conveniente não esquecer o Arade e não olhar para ele com fins puramente económicos ou como local de captação hídrica, mas também como um dos elementos sempre presentes e fundamentais para a génese, formação e evolução da nossa cidade e cultura ao longo da história. Acreditem todos os que este texto lerem que o Arade ainda tem muito para nos contar.

quarta-feira, outubro 26, 2005

A Cor e o Património


A princípio pode parecer descabido mas é urgente e necessário harmonizar a paleta cromática com que se pintam os edifícios de maior antiguidade ou valor patrimonial e optar pelo original ou o mais parecido possível.
Cores políticas à parte o caso que me despertou atenção foi precisamente o edifício da candidatura do PS à autarquia Silvense, mas este não é único, pois existem muitos pelo concelho fora.
Chamo desde já à atenção as colorações que os próprios organismos gestores do Património Edificado em Portugal dão aos edifícios históricos, veja-se o exemplo da “febre amarela”, que surgiu nos últimos anos em edifícios que comprovadamente usariam cores mais comuns como o branco da cal ou o ocre.
Assiste-se um pouco por todo o concelho de Silves à pintura indiscriminada de pequenas casas ditas “tradicionais” de rosa ou amarelo ou ainda outras, quando estas originalmente eram simplesmente caiadas de branco. É claro que existem sempre excepções e surgem edifícios de outras cores nos quais sou sempre defensor da preservação da cor original.
Existem, felizmente, algumas autarquias que começam a demonstrar a sua preocupação no campo da cor no interior dos centros históricos ou edifícios de interesse patrimonial.
Não pretendo com este artigo criticar duramente, mas sim alertar e chamar a atenção para este aspecto por vezes esquecido mas de grande importância para a nossa identidade cultural.
Foto gentilmente cedida por Manuel Castelo Ramos, o edíficio da foto já foi falado em http://sacodosdesabafos.blogspot.com/

quinta-feira, setembro 22, 2005

A questão da valorização e musealização de sítios e percursos arqueológicos.

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Actualmente, após anos e anos de despreocupação com o passado, estamos a assistir a uma vaga de planos e projectos de valorização e musealização de sítios e percursos arqueológicos. Nos mais variados concelhos se assiste a esta reconciliação com o património. Desde Alcoutim, onde recentemente foi inaugurada a musealização das ruínas do Montinho das Laranjeiras, até Aljezur acredito eu.
Mas voltando à realidade do concelho Silvense tenho que dar os parabéns pelo trabalho desenvolvido nesse âmbito na área do Castelo e pelo diagnóstico arqueológico realizado por toda a cidade e a exposição pública dos resultados. Tenho também que congratular o esforço que foi feito para o reerguimento dos menires na zona dos Gregórios e Vilarinha, esses fantásticos vestígios megalíticos.
Temos que ter em conta a especificidade do Megalitismo no nosso concelho onde a grés vermelha foi utilizada para a construção destes monumentos de época neolítica.
Deduzo que após o primeiro passo que foi o reerguimento se seguirão a valorização e musealização do percurso com sinalética e placas explicativas sobre o período em que foram originalmente erguidos, a sua importância e supostos significados no Neolítico e até mesmo em época Calcolítica.
A musealização deve também passar pela publicação dos dados recolhidos na investigação e estudo dos vários menires e da sua envolvente. A intervenção, a meu ver, revela-se urgente pois pelo menos um dos menires foi recentemente alvo de vandalismo como pude comprovar este fim-de-semana durante uma visita ao sítio.
Acredito que este assunto já esteja a ser discutido na Câmara Municipal de Silves e que a Valorização/Musealização do percurso megalítico esteja para breve, pois um dos principais meios para evitar atentados contra o património cultural é precisamente demonstrar a importância deste à população. Nunca convém esquecer que muito do nosso património tem sido destruído pela ignorância das pessoas.

P.S. Foi com agrado que vi num Poster presente no III Encontro de Arqueologia do Algarve a menção e divulgação do conjunto megalítico em questão, só me resta felicitar a C.M.S. que tal como anteriormente tinha referido no artigo, está a desenvolver esforços no âmbito da valorização destes vestígios de ocupação pré-histórica.

Fotos gentilmente cedidas por José Manuel Santos

quarta-feira, agosto 17, 2005

Homenagem Por Prestar


A vila de Messines, para além dos motivos sócio-económico que se ouvem falar e do peso que estes assumem no seio do Concelho de Silves, é também conhecida por ser uma terra com bastante significado para a compreensão da cultura portuguesa, especialmente do século XIX. Nomes como o Remexido e João de Deus, são provenientes de Messines, tendo a vila continuado a “fornecer” mais elementos importantes para a Cultura Algarvia e nacional até aos dias de hoje. E é com alguma admiração que quando passo pela casa onde nasceu a poetisa Maria Antonieta Júdice Barbosa e vejo uma ruína com uma placa de azulejos a anunciar que foi naquele edifício que a poetisa nasceu. Acho que a melhor homenagem que se poderia prestar a esta pessoa seria repor o edifício a um aspecto condigno e não apenas a colocação de uma placa e “já está!”. As casas necessitam de manutenção para não caírem em ruína e esta não conhece qualquer tipo de intervenção há largos anos e qualquer dia desabará. Deste modo perder-se-á um dos elos de ligação entre a poetisa e a Vila de Messines ficando esta última em dívida, para sempre, com Maria Antonieta Júdice Barbosa.
Mais informações sobre a poetisa em: http://radix.cultalg.pt/visualizar.html?contexto=918&id=7463

quarta-feira, agosto 10, 2005

Destruição de Património Arqueológico de Época Romana

Só há pouco é que tomei conhecimento da notícia da destruição de vários vestigíos de época romana durante a construção de um campo de Golfe no Concelho de Silves e é claro que enquanto patrimonialista não posso deixar isto passar em branco. Estou indignado pelo modo como a autarquia e a entidade construtora não consultaram o IPPAR. O Ping-Pong para apurar as responsabilidades entristece-me. Afinal para que serviram os avisos deixados pelos operacionais do Instituto Português de Arqueologia no terreno?

Deixo o link com a notícia.

http://www.barlavento.online.pt/index.php/noticia?id=923

segunda-feira, agosto 01, 2005

Tic- Tac: A contagem decrescente para a derrocada

Para quem conhece Silves e tem uma idade próxima dos vinte anos ou mais certamente se lembrará do Tic – Tac, para quem não chegou a conhecer, o Tic-Tac era um infantário/escola privado localizado num edifício quase em frente à Sociedade Filarmónica Silvense. Após o encerramento da escola o edifício ficou ao abandono encontrando-se actualmente extremamente degradado, sem telhado e a um passo da derrocada pondo em perigo quem lá passa diariamente.
O edifício deve ter sido construído nos finais do século XIX/ inícios do século XX e tem uma volumetria generosa, poderia, após um restauro que contemplasse a criação de nova cobertura e reforço das paredes, ser reaproveitado para a criação de um espaço cultural ou de serviços. Uma das possibilidades que surge é um espaço complementar à Sociedade Filarmónica Silvense, ou então outra, ao serviço da autarquia ou até de uma associação entre muitas outras possibilidades.
O importante neste caso é não deixar o edifício arruinar-se por completo e se possível reaproveitá-lo em vez de dar lugar a um novo edifício que não se enquadre naquele contexto de casas antigas de finais do século XIX/inícios do século XX.

segunda-feira, julho 11, 2005

Toldos, esplanadas e afins...

Já todos devem ter reparado que em Silves ou mesmo por todo o concelho existem edifícios de carácter histórico/ patrimonial que estão a ser descaracterizadas por toldos, montras, esplanadas e afins que não nos permitem ter uma leitura correcta do interesse patrimonial desses edifícios, como por exemplo, das suas proporções, certos pormenores arquitectónicos que são ocultados ou destruídos entre muitos outros parâmetros.
Um caso que acho paradigmático é o do Edifício das Casas Grandes no Largo Coronel Figueiredo onde actualmente se encontram estabelecidos a Casa do Benfica de Silves e um Bar, onde como se não bastassem os toldos e as esplanadas agora afixaram uma faixa enorme a dizer Sport Lisboa e Benfica Campeão!
Não, os leitores não julguem que isto são as queixas de um fanático de outro clube ferido por ter perdido o campeonato para o Benfica, pois quando se trata do Nosso património histórico-cultural sou apolítico ou afutebolístico (se é que a palavra existe!). Custa-me ver um tão imponente edifício ser deturpado cada dia que passa por meros interesses económico/comerciais e quem fala deste caso, fala de muitos outros que por aí pairam!
Na lei 107/2001 de 8 de Setembro de 2001 respeitante à protecção e valorização do património cultural destaco uma alínea que considero aplicável a estes casos e que deixo para reflexão.

Artigo 6º

h) Responsabilidade, garantindo prévia e sistemática ponderação das intervenções e dos actos susceptíveis de afectar a integridade ou circulação lícita de elementos integrantes do património cultural.

sexta-feira, junho 24, 2005

Um Castelo (quase) Desconhecido


Perdido e arruinado pelo tempo, tal como muitos outros vestígios humanos, o castelo de Alcantarilha actualmente resume-se a um pequeno troço de muralha com cerca de cinco metros de altura e alguns metros de extensão. Fiquei surpreso quando descobri que existiam vestígios de um castelo nesta vila, pois nunca ouvira qualquer referência a uma fortificação naquela localidade e como desconheço a toponímia não sabia da existência da Travessa do Castelo.
Actualmente o troço visível destas ruínas, classificadas (felizmente!) como Imóvel de interesse público, encontra-se entre o Largo General Humberto Delgado e a Travessa do Castelo. É uma pena ver este monumento ficar no desconhecimento de muita gente que certamente gostaria de saber mais sobre a história da Vila de Alcantarilha e também do seu castelo, a importância que este teve nas épocas Medieval e Moderna ou mesmo anteriormente! É assumida a possibilidade de ter existido anteriormente a este uma fortificação pré ou proto-histórica que, mais tarde, durante a romanização da Península Ibérica foi base de um acampamento militar cerca de 198 A.C.* Como é possível constatar deu-se uma evolução contínua (ou quase) da ocupação do local até aos dias de hoje, onde até há algumas décadas se adossaram casas ao troço ainda existente de muralhas.
A divulgação deste monumento, assim como, a criação de placas e folhetos explicativos iriam contribuir para o conhecimento e divulgação do desconhecido Castelo de Alcantarilha.

*Para mais informações consultar: http://www.jf-alcantarilha.pt/
http://www.monumentos.pt/

quarta-feira, junho 15, 2005

Sobre uma casa...


pormenor.jpg Posted by Hello

Paredes caiadas de branco, mais alta que larga é assim que podemos em traços largos descrever a casa que chamo “Casa do Olho”, um pequeno e estreito edifício habitacional de dois pisos em Messines.
Mas o que realmente prende a atenção naquele edifício é um trabalho em massa que se encontra na fachada logo acima da porta. O motivo apresenta a meu ver semelhanças formais com as representações de olhos por vezes presentes nos pequenos barcos de pesca tradicional ou em antigas representações de raiz mediterrânica. Sempre achei aquele trabalho interessante e uma vez mais sou levado a afirmar que são estes pequenos motivos que marcam, por vezes, a diferença na arquitectura dita popular, por vezes com referências mais eruditas, outras mais baseadas nas tradições construtivas e decorativas passadas de geração em geração. Os motivos podem também variar em termos regionais consoante os materiais de construção e outros factores ligados a crenças, tradições e, por exemplo, a ruralidade ou a proximidade do mar.

quinta-feira, junho 09, 2005

Até os antigos sinais de trânsito são património cultural!


sinal.jpg Posted by Hello

A noção actual de património cultural, pelo menos no nosso país, está muito associada a dois tipos, o edificado (dos castelos, fortalezas, igrejas e conventos) e o arqueológico na sua multiplicidade de formas e tipologias. De vez em quando abordam-se outros temas dentro do património cultural, como por exemplo a gastronomia ou os cantares populares. Com o crescente fascínio sobre o mundo medieval e consequentemente do seu património edificado e arqueológico sobrevivente, e também com os proveitos económicos que as autarquias retiram deste fascínio passaram a proliferar inúmeras recreações da época medieval no formato de feiras ou mercados realizados em pleno centro histórico ou no interior dos monumentos. Não me oponho de todo a este tipo de realização cultural, quando feitos com qualidade e, perdoem – me os leitores a expressão, com o menor número de “macacadas” possível. Mas o assunto que me leva a redigir este artigo prende – se com o menosprezo que muitas manifestações culturais e marcas do passado têm sofrido. Numa noção alargada de património cultural até um antigo sinal de trânsito pode ser considerado património. Como defensor dessa posição entristeço-me ao ver esses sinais de trânsito feitos em cimento ao abandono em detrimento dos seus congéneres actuais de alumínio que em princípio não necessitam de manutenção. É claro que não pretendo que se volte ao passado e só se utilize a sinalética de tipo antigo, mas sim preservar a ainda existente e devolver-lhe a dignidade que possuíam quando foram colocados no sítio e onde actualmente se encontram em processo de degradação ou a servir de suporte para qualquer grafitti. É compreensível a substituição dos antigos sinais pelos actuais de alumínio que necessitam (ou deveriam necessitar!) de menos manutenção e também devido à camada reflectora que melhora a visibilidade e leitura nocturna, mas imagine-se como ficaria pitoresca uma estrada com a ainda existente sinalética antiga reparada e pintada tal como era há algumas décadas atrás. Existem certamente, noutros países, ou até noutros pontos do país, quem sabe não muito longe de nós, troços de estrada com este tipo de sinais e barreiras de protecção devidamente mantidos que dão aquela sensação de estarmos a percorrer um caminho histórico e que fica sempre bem na foto turística e para a promoção de uma imagem de preocupação com o património, servindo ao mesmo tempo como indicadores de um caminho pioneiro no nosso automobilismo ou rota histórica. Ainda há pouco tempo avistei quando ia a passar de carro no sítio da Portela de Messines um antigo marco indicador de distância, também feito de pedra e cimento, tombado e votado ao abandono. Vamos assim assistindo ao desaparecimento de marcas do passado que com simples arranjos e uma pintura periodicamente seriam um elemento de identidade cultural e de afirmação de uma preocupação com uma forma de património até hoje praticamente esquecida, mas que por mim e acredito que por mais alguns tem tanto valor como outros tipos de património existentes. Estes sinais de trânsito têm de ser inventariados e tratados antes que desapareçam os poucos exemplares ainda existentes aos olhos do público em geral e dos turistas que decerto apreciariam passear nestes sítios e tirar uma fotografia junto do “histórico” sinal de trânsito.

segunda-feira, março 21, 2005

A descaracterização do eixo principal de S. B. Messines




As ruas que formam o eixo principal de São Bartolomeu de Messines encontram-se num acelerado processo de envelhecimento e descaracterização, que leva qualquer pessoa que não conheça a vila a julgar que se trata de um sítio estático, abandonado e demasiado desagradável para se estar. No entanto, Messines é uma vila dinâmica no aspecto comercial e de movimentação de indivíduos, sendo por isso necessário criar um incentivo para que parte desses indivíduos façam pelo menos curtas estadias na vila. A meu ver isto passaria por uma reabilitação urbana do eixo principal de Messines e das suas interessantes casas do início do século XX, algumas delas de grandes dimensões e pormenores arquitectónicos riquíssimos, é urgente chamar a atenção dos proprietários para a degradação dos espaços, e porque não, incentivá-los a reabilitar e valorizar estes grandes imóveis através da criação de pousadas, espaços comerciais com projectos arquitectónicos de qualidade ou espaços culturais, cuja falta é outra das grandes lacunas que têm de ser preenchidas na vila.Numa freguesia tão rica em património etnográfico e arqueológico, porque não sugerir a compra por parte da autarquia e da junta de freguesia, com a ajuda de financiamentos comunitários e privados, de um ou até mais desses imóveis para a criação de espaços museológicos que albergassem o espólio proveniente da freguesia. Deste modo os achados e doações que decerto se processarão no futuro e mesmo peças, provenientes da freguesia messinense, que se encontram escondidas do público há vários anos, algures no depósito de outros museus, pudessem através de acordos e protocolos entre entidades, vir a ser expostas nestes espaços.Com a crescente necessidade de habitações e o aumento da pressão por parte dos construtores, nos próximos anos estes interessantes imóveis serão derrubados, como já se vai verificando, para serem construídos em seu lugar os chamados “edifícios à pato bravo”, cuja única finalidade é encher os bolsos dos empresários da construção civil e do ramo imobiliário, oferecendo geralmente uma fraca qualidade de construção e acabamentos e uma estética muito discutível, ou senão edifícios com uma volumetria desadequada à área envolvente.Grande parte da história do século XX de S. B. de Messines encontra-se nestes edifícios antigos, que pertenceram aos impulsionadores da dinâmica comercial da vila e as habitações mais modestas aos operários que tiveram tanta ou mais importância neste processo. Existem habitações modestas com pormenores interessantes, especialmente a nível da decoração exterior, visto que a qualidade habitacional encontra-se muito degradada e obsoleta, não se adequando aos padrões vivenciais do nosso tempo, nem às necessidades dos seus idosos moradores.A reabilitação e valorização de espaços imóveis antigos, é hoje em dia, tão ou mais importante que a construção de edifícios novos: é a preservação da história dum local e da sua identidade, neste caso a prosperidade económica que a vila viveu até meados do século XX.Acrescentando um teor cultural, pode ser sugerida a criação de ateliers, galerias ou núcleos museológicos, ou porque não a criação de percursos, a nível de património edificado da zona ou a nível arqueológico, destacando o que resta do povoado islâmico da Portela III , o megalitismo da freguesia ou ainda a exploração da serra e das suas paisagens, tendo em conta a fauna e flora autóctones.Messines tem potencial para se tornar num interessante centro cultural do barrocal algarvio, é necessário despertar a autarquia, os proprietários dos imóveis, a junta de freguesia e mesmo a população da vila para a exploração de todas estas riquezas escondidas, à vista de todos, que a freguesia possui.


Texto originalmente publicado no Jornal Terra Ruiva nº 46 de Maio de 2004