terça-feira, abril 08, 2008

O Menir Tombado dos Abrutiais






Este monumento megalítico encontra-se tombado e algo entregue à sua própria sorte há já vários anos. Movido do seu local de implantação original o menir dos Abrutiais ou Abrotiais, como aparece referido nalguns sítios, jaz anónimo no território e de certa forma mais desprotegido que os seus congéneres do conjunto Gregórios/Velarinha recentemente valorizados numa acção de louvar resultante da parceria entre a associação de desenvolvimento local In Loco e a autarquia silvense.

Em situações destas, como a do monumento megalítico dos Abrutiais, é difícil escolher uma solução consensual, mas a actual condição exige, de certa forma, uma rápida tomada de decisão. A implantação no local onde se encontra tombado, mesmo não sendo a localização original? Perderia bastante sentido, pois o seu local de implantação não foi certamente escolhido pelas comunidades pré-históricas de forma aleatória, teria um significado e dominaria a paisagem, o que não aconteceria se fosse colocado onde está. Outra hipótese seria a inclusão num projecto museológico, novo ou mesmo no Museu Municipal de Arqueologia de Silves. Não é que goste, mas talvez fosse uma boa solução de compromisso entre a salvaguarda/preservação, mas continua o irremediável problema da descontextualização.

Estas temáticas são delicadas, exigindo reflexão e trabalho multi-disciplinar para que se pense da melhor forma o futuro dos muitos vestígios históricos que se encontram ameaçados e pouco estudados como é o caso dos Abrutiais, que apesar de tudo já foi alvo de estudo por Mário Varela Gomes e está contemplado no estudo de impacte ambiental da modernização da linha de caminho de ferro realizado em 2002.

Uma coisa é certa na sua situação actual o concelho de Silves e mais concretamente a freguesia de São Bartolomeu de Messines está a sub-aproveitar um importante motivo de interesse de cariz histórico-cultural. Quando digo isto não me refiro apenas à importância turística , mas sim a uma necessária sensibilização dos locais para que percebam o significado do património que detêm e os benefícios que a sua preservação lhes pode trazer. A educação patrimonial não pode ser de forma alguma descurada, pois só a partir do momento que as pessoas compreendam e se identifiquem com o património cultural é que se cria uma consciência e um certo orgulho, que há sempre um pouco dentro de todos nós, da riqueza cultural da região e do país, aí sim a dignificação e valorização dos bens patrimoniais é exigida de forma mais forte perante os organismos responsáveis.