domingo, setembro 30, 2007

Ruína




A cerca de um quilómetro de Silves está uma velha ruína, com lixo encostado nas traseiras, ervas daninhas de altura considerável a toda a sua volta e do outro lado do caminho que a serve encontram-se algumas vivendas recentes adaptadas ao estilo de vida contemporâneo.
Esta ruína é a Ermida de São Pedro, um edifício de culto de fundação medieval, de construção marcadamente gótica, que foi sendo adaptado às mais diversas funções até ao século XX, existindo ainda testemunhos de que há cerca de meio século ainda servia de palheiro e abrigo para gado.
Apesar de muito adulterada, são visíveis marcas da sua função primordial, como a empena que conserva ainda, mesmo entaipado, o óculo axial e a sua “modulação gótica”, como é referido na ficha de inventário do IPPAR , outra marca visível do exterior é a cabeceira de terminação semicircular, que mesmo não sendo a solução mais comum no panorama gótico português tudo indica fazer parte da construção original. É de notar também a distinção clara entre o corpo da igreja e a capela Mor.
Os vãos e aberturas foram substituídos e adaptados às funções para que o local serviu após o seu fecho ao culto, tendo sido abertas janelas , anexados corpos estranhos à construção original , e talvez por motivos de degradação o vão do portal foi substituído por um de verga de perfil abatido.
O edifício apresenta desde 1993 a classificação de Imóvel de Interesse Municipal, mas pelo que se vê de pouco tem servido essa medida, pois não há indícios de ter existido uma preocupação de garantir um programa de salvaguarda e valorização deste, continuando deste modo a sua degradação e abandono.
Segundo estudos, ainda não totalmente confirmados, existe a possibilidade de se tratar duma obra ainda do século XIII, sendo desta forma, dada a sua antiguidade, motivo mais que suficiente para se formar uma equipa multidisciplinar que através do estudo formal do edifício, dos possíveis dados arqueológicos recolhidos no interior e em redor, entre outros possam confirmar a antiguidade e importância da Ermida de São Pedro. A limpeza, consolidação e valorização do monumento seriam também uma mais valia e forma de salvaguarda daquela que é considerada como hipoteticamente “uma das mais antigas realizações da reconquista no Algarve”.

terça-feira, setembro 11, 2007

Casa de Cantoneiros?!



Embora passe regularmente por ela, só há poucos dias me ocorreu que a arquitectura desta moradia da Aldeia Ruiva lembra muito a característica de uma casa de cantoneiros, sobretudo no desenho do telhado. Embora não se denotem outros vestígios, é natural que ao ser transformada numa casa de habitação, lhe tenham retirado a sigla da Junta Autónoma de Estradas assim como as informações rodoviárias em azulejo, e que devido a reboco e pinturas posteriores as suas marcas não sejam visíveis.
Também é bastante provável que uma casa de cantoneiros tivesse existido naquele local, uma vez que se trata de um eixo viário importante, pois situa-se, não só na ligação entre Alte/Loulé e São Bartolomeu de Messines/Silves, como também na direcção de Lisboa por S. B. Messines, São Marcos e Santana da Serra.
Algumas destas casas, assim como outro património do estado, foram vendidas a particulares a baixos preços há alguns anos atrás, outras encontram-se em degradação devido ao desuso e abandono, poucas foram reutilizadas para outros fins, o que seria interessante verificar desde que se mantivesse a traça original da arquitectura. Acerca desde assunto pode ler-se a proposta de valorização que o Marco fez aqui em 12/01/07, chamando a atenção precisamente para a reutilização deste património arquitectónico tão importante para a nossa identidade cultural mas que passa muitas vezes despercebido.