segunda-feira, janeiro 22, 2007

Contributos para a degradação da paisagem urbana- Um pequeno balanço.

A leitura de uma envolvente urbana, de um edifício histórico ou de interesse é, por vezes, prejudicada pela ocupação de espaços próximos por edifícios de qualidade estética duvidosa, ou projectos arquitectónicos desenquadrados ou ainda, por fim, por construções temporárias que muitas vezes adquirem um estatuto permanente.

Como se não bastassem a qualidade estética, e muitas vezes também a construtiva, de carácter duvidoso, os proprietários ou as pessoas que exploram e usam estas construções, por vezes não têm cuidado com a manutenção ou então não têm posses para a fazer, o que degrada tanto as condições do edifício como toda a leitura da envolvente.

Outra questão prende-se com a utilização de gradeamentos e fenestrações desadequadas ou no caso de quiosques, bilheteiras e construções temporárias, para ter a sua segurança incrementada face aos actos de vandalismo ou furto são colocados gradeamentos de grandes dimensões que para além de ter um grande impacto estético prejudica a leitura da arquitectura dos edifícios próximos ou mesmo do próprio, uma solução poderia passar por um maior policiamento dos centros históricos ou áreas de interesse ou pelo investimento em sistemas de segurança como alarmes dissuasores. A melhor solução seria sem dúvida a conjugação das duas sugestões dadas anteriormente.

Os toldos, já anteriormente falados num caso muito específico, e os painéis luminosos, por vezes de dimensões exageradas, são outro dos contributos para a descaracterização dos nossos centros históricos ou edifícios de interesse.

Neste pequeno balanço, onde poderia referir ainda mais problemas que afectam os nossos centros históricos e frentes urbanas, faço questão de frisar um último, que tem vindo a expandir-se de ano para ano e em nada facilita a passagem dos peões e a fruição das artérias das nossas cidades, tratam-se das esplanadas, com a sua panóplia de mesas, cadeiras, estruturas para garantir a sombra aos clientes entre ainda outras coisas. Estas têm vindo a avançar e a ocupar a via pública, dificultando muitas vezes a passagem das pessoas pelos espaços pedonais, e cortam também a leitura das ruas e edifícios que por vezes são de interesse histórico. Não querendo prejudicar a vida aos negociantes, pretende-se apenas apelar a formas de publicidade que não descaracterizem os imóveis e a uma melhor organização dos espaços comerciais prejudicando o mínimo os espaços de usufruto público.

Como nota final resta referir que este texto se trata de um artigo de carácter genérico onde se faz um balanço de uma situação por demais vista no nosso país, são vários pontos que ainda têm de ser alvo de reflexão.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Silves Antiga


Não resisti e tive que partilhar convosco esta bela foto pertencente ao acervo documental da DGEMN.



Fotos disponíveis em : http://www.monumentos.pt

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pela criação de centros de interpretação.

Quantas vezes não nos deparámos já com edifícios com placas a indicar que são património do estado e que no entanto encontram-se devolutos à beira da estrada, degradando-se de dia para dia. Existem vários tipos de edifícios, mas talvez o exemplo mais familiar a todos sejam as Casas de Cantoneiros da antiga Junta Autónoma de Estradas.
A reconversão deste imóveis para usufruto cultural seria de todo o interesse, não só pela preservação de uma tipologia arquitectónica que marcou as nossas estradas e a vida de muitas famílias nas primeiras décadas/ meados do século XX, mas pela possibilidade de criação de uma infra-estrutura ou rede de conteúdos culturais que poderiam dinamizar a vida das populações próximas e ao mesmo tempo atrair o visitante a conhecer melhor a região contextualizando-o, tanto a nível Natural como Cultural (se é que existe esta dualidade.), explicar o porquê daqueles edifícios, os seus usos, funções, os equipamentos, entre tantos outros aspectos.
A própria iconografia e sinalética que as distinguem dos demais edifícios podem ser motivos interessantes para um estudo, assim como os painéis de azulejos que davam as indicações das distâncias, também inclusos na sinalética. Existem casos de preservação de edifícios deste tipo e consequente reaproveitamento para fins de sensibilização e interpretação relativas a questões ambientais e culturais (veja-se o caso do núcleo museológico de Cachopo), que poderiam servir de exemplo para o resto do país, mas que no entanto despontam como casos isolados e não como uma prática corrente. Mais uma vez, pode ser que um dia...