sexta-feira, junho 24, 2005

Um Castelo (quase) Desconhecido


Perdido e arruinado pelo tempo, tal como muitos outros vestígios humanos, o castelo de Alcantarilha actualmente resume-se a um pequeno troço de muralha com cerca de cinco metros de altura e alguns metros de extensão. Fiquei surpreso quando descobri que existiam vestígios de um castelo nesta vila, pois nunca ouvira qualquer referência a uma fortificação naquela localidade e como desconheço a toponímia não sabia da existência da Travessa do Castelo.
Actualmente o troço visível destas ruínas, classificadas (felizmente!) como Imóvel de interesse público, encontra-se entre o Largo General Humberto Delgado e a Travessa do Castelo. É uma pena ver este monumento ficar no desconhecimento de muita gente que certamente gostaria de saber mais sobre a história da Vila de Alcantarilha e também do seu castelo, a importância que este teve nas épocas Medieval e Moderna ou mesmo anteriormente! É assumida a possibilidade de ter existido anteriormente a este uma fortificação pré ou proto-histórica que, mais tarde, durante a romanização da Península Ibérica foi base de um acampamento militar cerca de 198 A.C.* Como é possível constatar deu-se uma evolução contínua (ou quase) da ocupação do local até aos dias de hoje, onde até há algumas décadas se adossaram casas ao troço ainda existente de muralhas.
A divulgação deste monumento, assim como, a criação de placas e folhetos explicativos iriam contribuir para o conhecimento e divulgação do desconhecido Castelo de Alcantarilha.

*Para mais informações consultar: http://www.jf-alcantarilha.pt/
http://www.monumentos.pt/

quarta-feira, junho 15, 2005

Sobre uma casa...


pormenor.jpg Posted by Hello

Paredes caiadas de branco, mais alta que larga é assim que podemos em traços largos descrever a casa que chamo “Casa do Olho”, um pequeno e estreito edifício habitacional de dois pisos em Messines.
Mas o que realmente prende a atenção naquele edifício é um trabalho em massa que se encontra na fachada logo acima da porta. O motivo apresenta a meu ver semelhanças formais com as representações de olhos por vezes presentes nos pequenos barcos de pesca tradicional ou em antigas representações de raiz mediterrânica. Sempre achei aquele trabalho interessante e uma vez mais sou levado a afirmar que são estes pequenos motivos que marcam, por vezes, a diferença na arquitectura dita popular, por vezes com referências mais eruditas, outras mais baseadas nas tradições construtivas e decorativas passadas de geração em geração. Os motivos podem também variar em termos regionais consoante os materiais de construção e outros factores ligados a crenças, tradições e, por exemplo, a ruralidade ou a proximidade do mar.

quinta-feira, junho 09, 2005

Até os antigos sinais de trânsito são património cultural!


sinal.jpg Posted by Hello

A noção actual de património cultural, pelo menos no nosso país, está muito associada a dois tipos, o edificado (dos castelos, fortalezas, igrejas e conventos) e o arqueológico na sua multiplicidade de formas e tipologias. De vez em quando abordam-se outros temas dentro do património cultural, como por exemplo a gastronomia ou os cantares populares. Com o crescente fascínio sobre o mundo medieval e consequentemente do seu património edificado e arqueológico sobrevivente, e também com os proveitos económicos que as autarquias retiram deste fascínio passaram a proliferar inúmeras recreações da época medieval no formato de feiras ou mercados realizados em pleno centro histórico ou no interior dos monumentos. Não me oponho de todo a este tipo de realização cultural, quando feitos com qualidade e, perdoem – me os leitores a expressão, com o menor número de “macacadas” possível. Mas o assunto que me leva a redigir este artigo prende – se com o menosprezo que muitas manifestações culturais e marcas do passado têm sofrido. Numa noção alargada de património cultural até um antigo sinal de trânsito pode ser considerado património. Como defensor dessa posição entristeço-me ao ver esses sinais de trânsito feitos em cimento ao abandono em detrimento dos seus congéneres actuais de alumínio que em princípio não necessitam de manutenção. É claro que não pretendo que se volte ao passado e só se utilize a sinalética de tipo antigo, mas sim preservar a ainda existente e devolver-lhe a dignidade que possuíam quando foram colocados no sítio e onde actualmente se encontram em processo de degradação ou a servir de suporte para qualquer grafitti. É compreensível a substituição dos antigos sinais pelos actuais de alumínio que necessitam (ou deveriam necessitar!) de menos manutenção e também devido à camada reflectora que melhora a visibilidade e leitura nocturna, mas imagine-se como ficaria pitoresca uma estrada com a ainda existente sinalética antiga reparada e pintada tal como era há algumas décadas atrás. Existem certamente, noutros países, ou até noutros pontos do país, quem sabe não muito longe de nós, troços de estrada com este tipo de sinais e barreiras de protecção devidamente mantidos que dão aquela sensação de estarmos a percorrer um caminho histórico e que fica sempre bem na foto turística e para a promoção de uma imagem de preocupação com o património, servindo ao mesmo tempo como indicadores de um caminho pioneiro no nosso automobilismo ou rota histórica. Ainda há pouco tempo avistei quando ia a passar de carro no sítio da Portela de Messines um antigo marco indicador de distância, também feito de pedra e cimento, tombado e votado ao abandono. Vamos assim assistindo ao desaparecimento de marcas do passado que com simples arranjos e uma pintura periodicamente seriam um elemento de identidade cultural e de afirmação de uma preocupação com uma forma de património até hoje praticamente esquecida, mas que por mim e acredito que por mais alguns tem tanto valor como outros tipos de património existentes. Estes sinais de trânsito têm de ser inventariados e tratados antes que desapareçam os poucos exemplares ainda existentes aos olhos do público em geral e dos turistas que decerto apreciariam passear nestes sítios e tirar uma fotografia junto do “histórico” sinal de trânsito.