quarta-feira, outubro 10, 2007

VII Jornadas de Silves


Realizam-se este Sábado (dia 13 de Outubro) sob o Tema: “A Sociedade Civil e o Poder Político na Defesa dos Valores Culturais e Patrimoniais”, um tema que promete e está na ordem do dia. Este evento é da responsabilidade Associação de Estudos e Defesa do Património Hisórico-Cultural do Concelho de Silves, será também lançado no âmbito destas jornadas o Livro "O Tombo do Almoxarifado de Silves da Casa da Rainha (Século XVI)" da autoria do Dr. Miguel Maria Telles Moniz Côrte-Real. Mais informações e contactos clique aqui

domingo, setembro 30, 2007

Ruína




A cerca de um quilómetro de Silves está uma velha ruína, com lixo encostado nas traseiras, ervas daninhas de altura considerável a toda a sua volta e do outro lado do caminho que a serve encontram-se algumas vivendas recentes adaptadas ao estilo de vida contemporâneo.
Esta ruína é a Ermida de São Pedro, um edifício de culto de fundação medieval, de construção marcadamente gótica, que foi sendo adaptado às mais diversas funções até ao século XX, existindo ainda testemunhos de que há cerca de meio século ainda servia de palheiro e abrigo para gado.
Apesar de muito adulterada, são visíveis marcas da sua função primordial, como a empena que conserva ainda, mesmo entaipado, o óculo axial e a sua “modulação gótica”, como é referido na ficha de inventário do IPPAR , outra marca visível do exterior é a cabeceira de terminação semicircular, que mesmo não sendo a solução mais comum no panorama gótico português tudo indica fazer parte da construção original. É de notar também a distinção clara entre o corpo da igreja e a capela Mor.
Os vãos e aberturas foram substituídos e adaptados às funções para que o local serviu após o seu fecho ao culto, tendo sido abertas janelas , anexados corpos estranhos à construção original , e talvez por motivos de degradação o vão do portal foi substituído por um de verga de perfil abatido.
O edifício apresenta desde 1993 a classificação de Imóvel de Interesse Municipal, mas pelo que se vê de pouco tem servido essa medida, pois não há indícios de ter existido uma preocupação de garantir um programa de salvaguarda e valorização deste, continuando deste modo a sua degradação e abandono.
Segundo estudos, ainda não totalmente confirmados, existe a possibilidade de se tratar duma obra ainda do século XIII, sendo desta forma, dada a sua antiguidade, motivo mais que suficiente para se formar uma equipa multidisciplinar que através do estudo formal do edifício, dos possíveis dados arqueológicos recolhidos no interior e em redor, entre outros possam confirmar a antiguidade e importância da Ermida de São Pedro. A limpeza, consolidação e valorização do monumento seriam também uma mais valia e forma de salvaguarda daquela que é considerada como hipoteticamente “uma das mais antigas realizações da reconquista no Algarve”.

terça-feira, setembro 11, 2007

Casa de Cantoneiros?!



Embora passe regularmente por ela, só há poucos dias me ocorreu que a arquitectura desta moradia da Aldeia Ruiva lembra muito a característica de uma casa de cantoneiros, sobretudo no desenho do telhado. Embora não se denotem outros vestígios, é natural que ao ser transformada numa casa de habitação, lhe tenham retirado a sigla da Junta Autónoma de Estradas assim como as informações rodoviárias em azulejo, e que devido a reboco e pinturas posteriores as suas marcas não sejam visíveis.
Também é bastante provável que uma casa de cantoneiros tivesse existido naquele local, uma vez que se trata de um eixo viário importante, pois situa-se, não só na ligação entre Alte/Loulé e São Bartolomeu de Messines/Silves, como também na direcção de Lisboa por S. B. Messines, São Marcos e Santana da Serra.
Algumas destas casas, assim como outro património do estado, foram vendidas a particulares a baixos preços há alguns anos atrás, outras encontram-se em degradação devido ao desuso e abandono, poucas foram reutilizadas para outros fins, o que seria interessante verificar desde que se mantivesse a traça original da arquitectura. Acerca desde assunto pode ler-se a proposta de valorização que o Marco fez aqui em 12/01/07, chamando a atenção precisamente para a reutilização deste património arquitectónico tão importante para a nossa identidade cultural mas que passa muitas vezes despercebido.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Capela dos Ossos de Alcantarilha


Ossos, originally uploaded by Marco Santos.

Fica aqui uma foto de parte do tecto da Capela dos Ossos de Alcantarilha, bem mais conhecida que o exemplar focado no artigo anterior.

A Capela dos Ossos do Cemitério de São Bartolomeu de Messines


O edifício conhecido como Capela dos Ossos do cemitério de São Bartolomeu de Messines é, apesar de vísivel, um desconhecido para a maioria das pessoas.
Segundo Manuel Moreira na entrada sobre este edifício constante na base de dados da delegação regional de Faro do Ministério da Cultura este edifício tem como principal função a ultima oração em honra do defunto antes da sua inumação. O autor aponta a construção deste edifício para o século XIX, data que não posso nem confirmar nem desmentir, pois este tipo de arquitectura que nos remete para as cubas e para os morábitos, enraízou-se na tradição construtiva e perdurou durante vários séculos e caso não exista documentação relativa à sua construção ou testemunhos escritos poderá ser muito difícil apontar uma datação fiável.
Após esta pequena apresentação passo a uma breve descrição do edifício, este apresenta uma planta quadrangular de pequenas dimensões sobreposta por uma cúpula, nos quatro cantos apresenta pequenos "fogaréus" e no topo da cúpula um pequeno "lanternim". Na fachada apresenta um arco de volta perfeita aberto para o interior, onde no fundo se encontra um pequeno altar . Resta referir aquilo que Manuel Moreira descreve como ornamentação com ossos na bordadura da parte superior do edifício e no seu interior, já bastante gastos pela erosão provocada pela exposição aos elementos naturais.
O estado actual desta estrutura não é de abandono, mas não cumpre a sua função original e acaba por servir como mais uma valência para a arrumação (?) de material do cemitério, precisa de alguma manutenção e verificação estrutural, assim como uma caiação, mas o seu estado geral ainda se encontra dentro do aceitável.
Segundo o Blogue do Vereador este monumento apresenta uma proposta de classificação a Imóvel de Interesse Concelhio desde 1/03/2006, data da reunião de câmara, e espero que junto a esta proposta hajam ideias de valorização. De momento decorrem estudos a título particular em vista a apurar mais alguns dados sobre o exemplar em questão e que quem sabe poderão ver a luz do dia e desvendar algo mais sobre este desconhecido.

Foto: Susana Martins

quinta-feira, junho 28, 2007

46 510 Contos para 20 quilómetros de estrada entre Santana da Serra e S. Marcos



Enquanto via umas cópias e apontamentos que a minha amiga Vânia Mendonça me emprestou, e a quem aproveito para agradecer novamente, encontrei este curioso artigo publicado no Algarve Ilustrado nº 17/18 de Fevereiro de 1971 e achei interessante do ponto de vista da história local e ou regional , tendo decididdo partilhá~lo com os leitores deste blogue.
Existem pormenores curiosos como a apresentação dos valores do trabalho por metro a, na altura, avultada quantia de 2325$10.
Este artigo ilustra também a pobreza da nossa rede viária no início dos anos 70, tendo só passadas cerca de três décadas, já no início deste século, chegado ao Algarve a auto-estrada com ligação a Lisboa (A2).
É importante tomar atenção a estes pequenos artigos que apoiam imenso o estudo da época contemporânea, uma área que necessita de investigação tão urgente quanto os períodos mais remotos da nossa história.

terça-feira, maio 15, 2007

A época romana no concelho de Silves- Ideias soltas

Em Pera de Baixo, ou da Armação, onde em tempos antigos era lançada uma armação para a copejação do atum junto à ponta da Galé, só descobri na sua limpida praia os celebres tanques romanos de salga de peixe, e me constou terem apparecido vestigios de grandes construcções, que o areal hoje encobre. (...)

in
: Estácio da Veiga, Antiguidades Monumentais do Algarve. Vol II, Pág. 368

Neste concelho cujo mais recente slogan é "Uma História Interminável" há ainda muito por descobrir e revelar e terá que haver um esforço por parte dos órgãos autárquicos para colocar Silves e todo o seu concelho na rota dos mais variados interesses patrimoniais, libertando-se um pouco da imagem que transporta há anos de cidade medieval ou então de cidade corticeira da 2ª metade do século XIX/inícios do século XX.
Primeiro há que dar ênfase à diversidade verificada um pouco por todo o concelho, desde da pré e proto-história, passando pelos diversos períodos históricos, veja-se o caso do retábulo maneirista da capela-mor da Igreja da Misericórdia de Silves que tanto precisa de atenção, até aos mais recentes factos e registos históricos.
Caso disso é a época romana no concelho que para o público em geral permanece envolta em mistério, e acredito que para muitos investigadores também. Alguns sítios são referenciados e inéditos, carecendo de estudos aprofundados, veja-se o caso do estudo de Jorge Correia, onde foram referidos sítios deste período histórico, ou a presumível via romana recentemente divulgada por Aurélio Cabrita. Mas encontra-se tudo muito esparso e aparentemente sem grande conexão. Existem também sítios como o que é referido no excerto de Estácio da Veiga, acima transcrito, que foram estudados ou referidos há décadas, mas que no entanto não foram alvo de novas leituras e abordagens. Há muito que fazer para que o conhecimento deste período histórico no nosso concelho saia da nuvem de mistério na qual se encontra envolto e se assuma como como mais um ponto de interesse na tal "História Interminável" do Concelho.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica de Silves

É com um misto de agrado e insatisfação que coloco aqui estas minhas palavras sobre este novo espaço cultural que abriu em Silves. Para já só soube por acaso da sua abertura porque fui votar no referendo e deparei-me com as portas abertas, porque divulgação de eventos é muito escassa, depois fiquei algo espantado quando vi que não se tratava do Centro de Estudos Luso-Árabes de Silves, mas sim da Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica de Silves, questionei-me se seriam a mesma coisa com nova nomenclatura, pelos vistos não e a disputa judicial permanece. Agora os pontos positivos, gostei imenso do espaço, tenho que dar os parabéns ao arquitecto José Alberto Alegria e a toda a equipa que o pensou e concebeu, a exposição também está muito do meu agrado e é de facto justo que se faça menção e demonstre a projecção internacional do trabalho do arquitecto José Alegria que faz de forma exemplar a ponte entre a arquitectura local e a mediterrânica, nunca esquecendo o norte de África. Em poucas palavras foi o que senti durante a visita ao espaço do antigo matadouro, por último recomendo a visita para apreciar o belo espaço que foi criado e à exposição que ajuda de todo à melhor compreensão de certas opções que foram tomadas no projecto.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Contributos para a degradação da paisagem urbana- Um pequeno balanço.

A leitura de uma envolvente urbana, de um edifício histórico ou de interesse é, por vezes, prejudicada pela ocupação de espaços próximos por edifícios de qualidade estética duvidosa, ou projectos arquitectónicos desenquadrados ou ainda, por fim, por construções temporárias que muitas vezes adquirem um estatuto permanente.

Como se não bastassem a qualidade estética, e muitas vezes também a construtiva, de carácter duvidoso, os proprietários ou as pessoas que exploram e usam estas construções, por vezes não têm cuidado com a manutenção ou então não têm posses para a fazer, o que degrada tanto as condições do edifício como toda a leitura da envolvente.

Outra questão prende-se com a utilização de gradeamentos e fenestrações desadequadas ou no caso de quiosques, bilheteiras e construções temporárias, para ter a sua segurança incrementada face aos actos de vandalismo ou furto são colocados gradeamentos de grandes dimensões que para além de ter um grande impacto estético prejudica a leitura da arquitectura dos edifícios próximos ou mesmo do próprio, uma solução poderia passar por um maior policiamento dos centros históricos ou áreas de interesse ou pelo investimento em sistemas de segurança como alarmes dissuasores. A melhor solução seria sem dúvida a conjugação das duas sugestões dadas anteriormente.

Os toldos, já anteriormente falados num caso muito específico, e os painéis luminosos, por vezes de dimensões exageradas, são outro dos contributos para a descaracterização dos nossos centros históricos ou edifícios de interesse.

Neste pequeno balanço, onde poderia referir ainda mais problemas que afectam os nossos centros históricos e frentes urbanas, faço questão de frisar um último, que tem vindo a expandir-se de ano para ano e em nada facilita a passagem dos peões e a fruição das artérias das nossas cidades, tratam-se das esplanadas, com a sua panóplia de mesas, cadeiras, estruturas para garantir a sombra aos clientes entre ainda outras coisas. Estas têm vindo a avançar e a ocupar a via pública, dificultando muitas vezes a passagem das pessoas pelos espaços pedonais, e cortam também a leitura das ruas e edifícios que por vezes são de interesse histórico. Não querendo prejudicar a vida aos negociantes, pretende-se apenas apelar a formas de publicidade que não descaracterizem os imóveis e a uma melhor organização dos espaços comerciais prejudicando o mínimo os espaços de usufruto público.

Como nota final resta referir que este texto se trata de um artigo de carácter genérico onde se faz um balanço de uma situação por demais vista no nosso país, são vários pontos que ainda têm de ser alvo de reflexão.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Silves Antiga


Não resisti e tive que partilhar convosco esta bela foto pertencente ao acervo documental da DGEMN.



Fotos disponíveis em : http://www.monumentos.pt

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pela criação de centros de interpretação.

Quantas vezes não nos deparámos já com edifícios com placas a indicar que são património do estado e que no entanto encontram-se devolutos à beira da estrada, degradando-se de dia para dia. Existem vários tipos de edifícios, mas talvez o exemplo mais familiar a todos sejam as Casas de Cantoneiros da antiga Junta Autónoma de Estradas.
A reconversão deste imóveis para usufruto cultural seria de todo o interesse, não só pela preservação de uma tipologia arquitectónica que marcou as nossas estradas e a vida de muitas famílias nas primeiras décadas/ meados do século XX, mas pela possibilidade de criação de uma infra-estrutura ou rede de conteúdos culturais que poderiam dinamizar a vida das populações próximas e ao mesmo tempo atrair o visitante a conhecer melhor a região contextualizando-o, tanto a nível Natural como Cultural (se é que existe esta dualidade.), explicar o porquê daqueles edifícios, os seus usos, funções, os equipamentos, entre tantos outros aspectos.
A própria iconografia e sinalética que as distinguem dos demais edifícios podem ser motivos interessantes para um estudo, assim como os painéis de azulejos que davam as indicações das distâncias, também inclusos na sinalética. Existem casos de preservação de edifícios deste tipo e consequente reaproveitamento para fins de sensibilização e interpretação relativas a questões ambientais e culturais (veja-se o caso do núcleo museológico de Cachopo), que poderiam servir de exemplo para o resto do país, mas que no entanto despontam como casos isolados e não como uma prática corrente. Mais uma vez, pode ser que um dia...